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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O que há no coração.


Seus cretinos, pensou.
Seus cretinos encantadores. Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para meus machucados. Olhem pra este arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos seus olhos me corroendo?
Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar pra que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner.
Porque o mundo não os merece.

A Menina que Roubava Livros

domingo, 23 de maio de 2010

O diário da morte.


Em toda história da humanidade, sempre fui vista como a pior coisa que poderia acontecer. Muitas pessoas dizem não ter medo de mim, mas quando chego perto, logo correm e fogem. Sei que o meu trabalho não é o melhor do mundo, mas tem que ser feito por alguém, e se eu fui designada para isso, fazer o quê? Cada um tem sua ocupação, seu trabalho, então eu não deveria ser discriminada pelo meu. Sei que deixo as pessoas tristes e por vezes, apavoradas. E não é pra menos, afinal, eu sempre as carrego comigo – mesmo contra sua vontade.
Não são poucas as vezes que pensei que eu seria o melhor para a humanidade, já que a própria se autodestrói a cada momento que passa. Mas eu realmente odeio saber que faço parte disso. Mesmo que eu não queira – como um trabalho necessário, mas não querido – sou eu quem leva as pessoas desse mundo quando o último sopro de vida deixa seus corpos efêmeros.
Durante minha eterna “vida” fico pensando em possibilidades e teorias que me levariam a entender como a humanidade chegou ao ponto que chegou. Cheguei a algumas conclusões sobre isso. Provavelmente, o ser humano chegou a este estado por sua incapacidade de manter a paz, necessidade de brigar, burrice, e tantas outras coisas que me levam a pensar que provavelmente o cérebro desses seres – que deveria funcionar como um racionalizador – não está no seu melhor momento. E talvez nunca fique. Sei que talvez a ideia de “doença mental” seja radical demais aos olhos de quem lê este meu pequeno desabafo, mas há tempo demais acompanho a humanidade, e passo a achar que esta seja a explicação maior por trás de tudo.
Por toda a trajetória do ser humano, o que mais tenho visto são guerras, conflitos, facções, intrigas... E o que mais me impressiona é que quem recebe a autoria de tanta maldade, escuridão e tristeza sou eu. Imagine só! Eu, que apenas faço meu trabalho! Trabalho este que coincide ser a consequência – por vezes desastrosa – de todos os atos do ser humano. Mas aí eu me pergunto: se o ser humano é racional, então por que não pensa nisso?
Às vezes penso e revejo a história dos humanos e me pergunto porquê tantos deles ficaram famosos e conhecidos pelas suas maldades. Aqueles que foram longe o suficiente para tirar suas ideias do papel e praticá-las, pelo menos. Pensando assim, vejo que qualquer humano tem a capacidade de se tornar tirano, cruel, um temido ser que mata qualquer um a sua frente por puro e mero capricho, ou menos. Provavelmente a maioria não faz isso por acomodação. Comodidade é uma coisa boa na vida do ser humano. Menos atrocidades cometidas, penso eu, e muito menos trabalho pra mim – o que é uma coisa boa, no fim das contas.
Ainda pensando sobre a capacidade do cérebro humano, fico surpreendida. Chego a pensar que quem comete tais atos vis não tem realmente um cérebro. Atos desumanos deveriam ser considerados por seres não-humanos certo? Seres que não possuem um cérebro “pensante”. Acho que talvez essa seja a definição básica para seres cruéis e maus. Imagino como seria bom se os seres realmente pensantes – os com cérebro – dessem um pouco disso para os cruéis não-pensantes. Quem sabe assim a humanidade teria as mesmas oportunidades de uma vida boa e humana, afinal.
O cérebro é um órgão interessante, fascinante demais pro seu próprio bem. Quem dera todos tivessem um...



Patrícia Cristina e Raquel Rodrigues